O mendigo da minha rua é arquiteto. Chegou de mansinho, há anos atrás, e deitou-se na calçada, com sua coberta encardida. A recepção pacífica o encorajou a montar uma barraca de papelão, onde passou a guardar seus pertences: latas enferrujadas, garrafas vazias, shorts rasgados. A obra cresceu e ganhou um cômodo. Talvez o closet ou a cozinha. Nunca se sabe as necessidades de uma família. E agora surgiu um vaso sanitário, sem o encanamento, é claro. A suíte ainda está inacabada. Falta banheira, bidê, pia, escova elétrica. Mas já atrai olhares ganaciosos de corretores da área. É capaz que no próximo ano, a rua, tomada de prédios, volte a ter uma casa.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
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