quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lactobacilos Vivos

Ontem à noite, depois do expediente, fui com alguns amigos a um bar onde normalmente costumamos almoçar e, logo de cara, reparamos que a geladeira com os doces estava desligada, para economizar na energia, e que, provavelmente, seria este o motivo de nos sentirmos tão mal dois dias atrás, e não a picanha crua, a calabresa frita nem a maionese. Num instante debatíamos o que era e o que não era bom comer para manter a saúde, como se naquele grupo de bêbados, fumantes e sedentários, algum dia tivesse havido esta preocupação. Sei que falávamos de saladas, sucos, frutas (blergh!), quando alguém citou um tal bichinho vivo que quando ingerido com leite operava milagres nos números ruins dos exames médicos, e que seu pai inclusive havia sido salvo por este inseto (não sei como não criou uma seita ou uma igreja para reverenciá-lo). “Diabetes? Ele ajuda. Colesterol? Ele dissolve. Câncer, Aids, Hepatite? Come tudo. Só tem que tomar cuidado, porque ele se prolifera rápido e de repente sua casa vira uma espécie de formigueiro. Então é preciso comprar um, ou até dois, Tamanduá pra reequilibrar o sistema”. Pensei: Bom, qual o problema de se conviver com um Tamanduá e um formigueiro na sala de casa quando a sua saúde está em ordem? Nenhum, claro. “Tamanduá, dá uma olhadinha se não tem uma cervejinha gelada pra mim aí na geladeira. E aproveita para ver se deixei o controle remoto da TV aí na mesa da cozinha. Ah, me traz um cigarro também. E vê se come estes bichos logo, porque já estão saindo do teto, da parede, da cama”. Só não pode criar uma amizade profunda e esquecer o que diziam aquelas figurinhas do chocolate Surpresa. “Rapaz, vem cá me dá um abraço”. Enfim, só sei que daí pra frente a conversa passaria por Cogumelo do Sol, Cintas Invel, ração humana, injeção de colágeno, Dr. Hollywood e Dr.House, até chegar no, aparentemente, inofensivo Yakult que, segundo minha mulher, não pode sofrer choques de temperatura, para não matar os lactobacilos vivos. Quem? Os lactobacilos vivos, outro tipo de bichinho amigo da sua saúde. Oras, como os lactobacilos agüentam viver sufocados, afogados, sem comida, mas morrem com uma corrente de vento ou um banho de sol? Não faz sentido. Pra mim, o lactobacilo é tipo um Chuck Norris do ecossistema, só que meio burro, pois aceita entrar na garrafinha de Yakult, para depois ganhar como recompensa o intestino de alguém. Mas isto não tira seus méritos. “Podem me trancar, me sufocar, me maltratar, me engolir, porque eu nunca morro, nunca”.

Um comentário:

Unknown disse...

Agora entendi metade da conversa do almoço