segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Aula de geografia

Se na época em que eu cursava o ginásio já morasse na casa onde moro hoje, nunca teria ficado em recuperação de geografia. Aos 12 anos era difícil para mim compreender, sem nenhuma demonstração prática, que um rio corria para o mar, com exceção do Tietê, que corre para o interior. Eu fazia um esforço monumental, porém a ficha não caía. Assim como não caía matrizes, báscara, orações sindéticas e pitágoras. Mas ontem, enquanto tomava banho, a minha esposa bateu desesperada na porta do banheiro. De início pensei que ela tivesse me visto se exibindo para as vizinhas da frente e já preparei o discurso para me colocar como vítima da história, mas não era nada disso: o problema era a água migrando do banheiro para o corredor. Abri a porta e vi o curso do rio. Os afluentes do Amazonas se encontrando com o mar sala bem na minha frente. E o rodo fazendo o papel de usina da traição, alterando o movimento natural das águas, só para despoluir o rio Pinheiros. Eu maravilhado com a força da natureza e a redenção da burrice, e ela enxugando taco por taco.

- Vê se coloca um pano na porta da próxima vez!
- Não posso mexer com a natureza, senão pagaremos por isso no futuro. Você não lê jornais?
- Então você explica para a vizinha de baixo o curso do Amazonas na cabeceira dela.
- E a obra de Deus?!
- Nem ela te salvará da indenização.

Descobri tarde que geografia não serve mais para nada em vista da economia. E lá fui eu construir mais uma barragem.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que engraçadinho, não acha!?rs

Anônimo disse...

Acho que usarei a sua tática exibicionista quando for lavar a varanda amanhã, o que vc acha???rs