quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O buraco

Há duas semanas surgiu um buraco em minha rua. Não sou bom de geometria, mas acho que, medido no compasso, caberia um pé ali. Porém, por falta de quem doasse o tal pé, os moradores decidiram jogar sacolas plásticas, latas de nescau (acredito que vazias) e garrafas pet (essas eu tenho certeza de que estavam vazias).
O tempo passou e a prefeitura não chegou. O buraco aumentou umas três vezes. Desta vez calculei que um corpo médio passaria sem problemas pela abertura. Como de novo não havia voluntários para comprovar minha suspeita, preencheram com vassouras, tábuas e talvez (notem que falei talvez) um ou outro cachorro que enchesse mais o saco com seus latidos durante as madrugadas. Falo isto porque há tempos não vejo os dois poodles da casa ao lado.
Pois bem, neste exato momento, observando de minha sacada, reparo que o raio triplicou e ganhou profundidade. Apesar de isolado por tapumes e um aviso oficial de que existe perigo no local, de olho eu chutaria que uma casa destas populares entrariam sem vaselina. Mas isto só até a semana que vem, quando será necessário um sobrado de 6 cômodos.
O meu medo é de que o poder executivo não chegue a tempo de evitar a ferocidade do vácuo e salvar o meu edifício. E em vez de habitar o primeiro andar, eu me mude para o segundo subsolo, onde jaz agora o antigo córrego do Tietê que o antigo morador se acabava de pescar antes do metrô aparecer.

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