terça-feira, 28 de junho de 2011

Doar

Esse negócio de doação de órgão é engraçado, porque tem mãe que não deixa a criança nem colocar uma chupeta que caiu no chão na boca sem lavá-la com iodo, mas aceita um fígado novo que estava no gelo e que o médico acaba de pegar na mão numa boa!
Outro caso curioso é o do cara que aceita receber um órgão (ok, aceitar não é bem o verbo...). Em um dia ele não quer nem relar na galera do ônibus, aí no outro aceita que revirem seu corpo e coloquem um rim doado pelo mesmo cara que ele nem queria encostar no ônibus. Será que alguém avisa antes: sabe aquele cara que você nem queria relar ontem, então... agora você vai produzir no seu corpo o suor dele?
E se você é da família do doador, além da satisfação de doar, deve rolar um sentimento estranho quando o padre fala "bem, aqui está o fulano de tal, quer dizer, só a cara do fulano de tal, que o resto já levaram e distribuíram. Vamos rezar um pouco para esse espantalho e depois tchau, até porque não tem nada aqui e não quero perder tempo com um homem cheio de espuma e jornal velho por dentro".

Nenhum comentário: