terça-feira, 17 de junho de 2008

Batam na Porta

Vira e mexe alguém entra em minha sala com a mesma postura violenta com que a Polícia Federal invade bingos clandestinos, aviões forrados de cocaína e gabinetes suspeitos de esconder dinheiro desviado. O carnaval é parecido: empurrão na porta, diálogos altos, olhares desconfiados, mas guarda uma grande diferença, em meu humilde recinto não existe nada além de mim, uma mesa, uma cadeira e um micro-computador sem acesso à internet. O máximo delito que poderiam flagrar é o auxiliar de escritório (eu) com o dedo no nariz num dia de rinite atacada. Ou será que alguém imagina que abri um buraco na parede, camuflado pelo calendário de 84 do corinthians vice-campeão paulista, e ao fechar a porta atravesse do mundo burocrático para a felicidade descompromissada da rua, voltando somente para bater o cartão ao fim do expediente. Não se preocupem, prometo ser infeliz até a minha aposentadoria e, quiçá, mesmo após ela. Agora, por favor, batam educadamente antes de entrar.

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