sexta-feira, 9 de maio de 2008

Eu atrapalho

O aviso é claro: "Quem fica na porta atrasa a vida dos outros"! Eu atraso a vida dos outros. Não faço por mal. Gostaria de ser sociável o suficiente para aguentar ficar no meio do vagão, mas não sou. O contato extremo me chateia, causa claustrofobia, pânico. Preciso de alguma forma de liberdade, e a porta do metrô me dá isso. É como a janelinha engradeada de uma cela. O vão por onde escapam pés e mãos. Os centímetros que nossos olhos guardam. O binóculo do cego. O cofre do desafortunado. Eu atrapalho quem entra. Chateio quem sai. Trombo com a multidão. Desculpa, mas é que de vez em quando somos isso: o quase nada que atrapalha o quase tudo.

Um comentário:

Anônimo disse...

tsc, tsc. é o individualismo prevalecendo sobre a cóletividadi...