Existe uma foto em casa onde apareço com outros dois amigos que, atualmente, não imagino quem sejam, mas que, em algum momento, devem ter sido importantes para mim. Por que não sei quem são? Devo sentir alguma culpa por não lembrar deles? Pensei nisto enquanto aguardava, numa loja fotocopiadora, sair a xerox de alguns documentos do escritório. Ali tinha uma imensidão de mensagens de auto-ajuda penduradas na cortiça da parede, e uma dizia: não brigue com seus amigos por terem partido, pois provavelmente já cumpriram a sua missão. Será que todos sabem disso ou um dia estarei numa calçada qualquer da cidade e os fantasmas do passado me reconhecerão na rua e, então, cobrarão anos da minha ausência?
Recentemente encontrei uma amiga de ginásio e começamos a bater um papo. Na real eu ouvia e a moça falava. Contou-me de sua formação profissional, do seu casamento desfeito e também da vida refeita após curta temporada numa instituição psiquiátrica (é verdade!). No fim ficamos de marcar um reencontro com a turma. E não é que uma semana depois a doida cobrava aos berros, no telefone, que eu fosse encontrá-la. É provável que o manicômio volte a fazer parte da sua vida em breve. Por precaução troquei o número da linha telefônica.
Já uma outra pessoa me parou na rua e perguntou se meu nome era Fernando.
- Não, me chamo Carlos.
- Tem certeza?!
- Bom, acho que minha mãe não me enganaria por tanto tempo.
- Mas você é igualzinho.
- Talvez Deus tenha emprestado a forma. Antigamente não era moda personalizar as coisas.
- Anota o meu telefone. Gostei de você.
Assim inventei um passado sem fantasmas.
Quanto aos dois amigos da foto, pode ser que estejam só fazendo número. São o fantasmas que aparecem no filme três solteirões e um bebê. Mas ainda sinto que um dia podem aparecer do nada e, como o Gasparzinho, perguntar se podemos ser amigos. Poder, podemos, porém, só quando eu me cansar de correr.
Recentemente encontrei uma amiga de ginásio e começamos a bater um papo. Na real eu ouvia e a moça falava. Contou-me de sua formação profissional, do seu casamento desfeito e também da vida refeita após curta temporada numa instituição psiquiátrica (é verdade!). No fim ficamos de marcar um reencontro com a turma. E não é que uma semana depois a doida cobrava aos berros, no telefone, que eu fosse encontrá-la. É provável que o manicômio volte a fazer parte da sua vida em breve. Por precaução troquei o número da linha telefônica.
Já uma outra pessoa me parou na rua e perguntou se meu nome era Fernando.
- Não, me chamo Carlos.
- Tem certeza?!
- Bom, acho que minha mãe não me enganaria por tanto tempo.
- Mas você é igualzinho.
- Talvez Deus tenha emprestado a forma. Antigamente não era moda personalizar as coisas.
- Anota o meu telefone. Gostei de você.
Assim inventei um passado sem fantasmas.
Quanto aos dois amigos da foto, pode ser que estejam só fazendo número. São o fantasmas que aparecem no filme três solteirões e um bebê. Mas ainda sinto que um dia podem aparecer do nada e, como o Gasparzinho, perguntar se podemos ser amigos. Poder, podemos, porém, só quando eu me cansar de correr.
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